Das cores ao sussurro
Vento, pássaros,
marulho
Tudo tinha cores
de vivas paisagens
Mesmo antes do
brilho das imagens
Todo som era um
alegre e colorido barulho
Mas as manhãs se
mostraram cinzentas
Os sons se
tornaram indistintos
Começaram as
buscas por cores fúteis
Nas madrugadas dos
sem destino
Só o
entorpecimento trazia alguma cor
Mesmo sendo
provadas mentiras pelo dia
No brilho
passageiro de tons de cinza
Só restam agora
silhuetas e apatia
Vendavais,
abutres, barulho
Muros vazios só de
passagem
Tons cinzas e
miragens
Sonhos coloridos
se tornam peso na bagagem
A solidão e o silêncio
velados
Invadem os ouvidos
em sussurro
Rifs de Hendrix
soam desbotados
Mar azul é cinza
marulho
A vida, muitas
vezes, transforma os sons coloridos da infância, em sussurros cinzentos.
Na adolescência,
optei pelo entorpecimento do álcool e outras drogas, na tentativa de reaver o
brilho das cores.
Assim como Jimi
Hendrix, que pintava quadros psicodélicos em sua mente enquanto tocava guitarra,
muitos como eu buscam cores e só encontram mais ecos cinzentos.
Vivi assim por
muitos anos, até encontrar vida em Deus:
A voz do Senhor
ouve-se sobre as suas águas; o Deus da glória troveja;
o Senhor está
sobre as muitas águas.
Salmos 29:3
Marcelo T. de
Souza
Guamaré/RN

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