11 junho 2026

Das cores ao sussurro

 




Das cores ao sussurro

 

Vento, pássaros, marulho

Tudo tinha cores de vivas paisagens

Mesmo antes do brilho das imagens

Todo som era um alegre e colorido barulho

 

Mas as manhãs se mostraram cinzentas

Os sons se tornaram indistintos

Começaram as buscas por cores fúteis

Nas madrugadas dos sem destino

 

Só o entorpecimento trazia alguma cor

Mesmo sendo provadas mentiras pelo dia

No brilho passageiro de tons de cinza

Só restam agora silhuetas e apatia

 

Vendavais, abutres, barulho

Muros vazios só de passagem

Tons cinzas e miragens

Sonhos coloridos se tornam peso na bagagem

 

A solidão e o silêncio velados

Invadem os ouvidos em sussurro

Rifs de Hendrix soam desbotados

Mar azul é cinza marulho

 

 

 

 

A vida, muitas vezes, transforma os sons coloridos da infância, em sussurros cinzentos.

Na adolescência, optei pelo entorpecimento do álcool e outras drogas, na tentativa de reaver o brilho das cores.

Assim como Jimi Hendrix, que pintava quadros psicodélicos em sua mente enquanto tocava guitarra, muitos como eu buscam cores e só encontram mais ecos cinzentos.

Vivi assim por muitos anos, até encontrar vida em Deus:

 

A voz do Senhor ouve-se sobre as suas águas; o Deus da glória troveja;

o Senhor está sobre as muitas águas.

Salmos 29:3

 

 

Marcelo T. de Souza

Guamaré/RN

 


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