Salvação de graça
ou pela graça?
Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé,
Há
alguns dias atrás, estava no banho pensando na igreja do Senhor e então me veio
as velhas e complicadas indagações?
É
mesmo necessário pregar tanto para crentes?
Não seria melhor nos
concentrarmos mais nos que estão de fora e não desperdiçar esforços e recursos
com os que já creram?
Será que os textos de Marcos
16:16 e Efésios 2:8 respondem a esta pergunta?
Após muito quebrar a cabeça
com respostas prontas, me veio à memória o jantar de Jesus na casa de um dos
fariseus, onde uma mulher pecadora adorou ao Senhor de maneira extremamente
espontânea e extravagante, perturbando a paz do ambiente:
Convidado
por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa.
Ao
saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade,
uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás
de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas
lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o
perfume.
Creio
que o problema não está em se ocupar com crentes ou com os que ainda não
creram, mas a motivação é que deve ser questionada em todas as situações, pois
a fé deve ser alimentada pelo ensino/ aprendizado contínuo, não apenas através
de sermões nos domingos, mas pela convivência diária com o Espírito Santo e com
os demais irmãos, fortalecendo o vínculo com o Corpo de Cristo.
O que
diferenciou a atitude desta mulher pecadora e a dos demais presentes foi a
motivação em adorar ao Senhor. Isto fica claro quando Jesus se aproveita da
deixa para ensinar sobre a ligação direta entre a adoração e o entendimento do
perdão.
Ao
ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: "Se este homem
fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma
‘pecadora’ ".
Respondeu-lhe
Jesus: "Simão, tenho algo a lhe dizer". "Dize, Mestre",
disse ele.
"Dois
homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta.
Nenhum
dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles
o amará mais? "
Simão
respondeu: "Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior".
"Você julgou bem", disse Jesus.
Em
seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: "Vê esta mulher? Entrei
em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os
meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
Você
não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou
de beijar os meus pés.
Você
não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés.
Portanto,
eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou
muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama".
Voltando
ao ponto inicial, analisando a questão de se pregar para crentes, podemos
extrair desta mensagem que devemos pregar salvação tanto para os não crentes
quanto para os que já estão no caminho, pois a falta de entendimento leva as
pessoas a tirar conclusões errôneas e tropeçarem em assuntos de extrema
simplicidade e igual importância.
Um observador
superficial diria que há diferenciação entre pecados maiores e menores, mas não
creio que seja este o ponto. O que o Senhor disse a Simão, dono da casa, foi
que a mulher tinha convicção de que seus pecados eram o grande problema de sua
vida, tornando-a indigna de se aproximar do Mestre, ao contrário do Fariseu,
que se julgava digno de perdão.
Esta
é a diferença entre pregar para crentes e descrentes. Quase imperceptível.
Observe
a apostasia em que vivemos nestes dias e concordará comigo. Entre os que
frequentam regularmente nossas reuniões, há os que se identificam mais com o
fariseu e outros mais com a pecadora, mas somente a convivência diária pode
revelar o nível de identificação de cada um de nós.
O farisaísmo
é a grande causa da apostasia, pois há entre nós pessoas que acabam chegando a
funções de liderança sem antes terem reconhecido sua condição de pecador e há
pessoas com profundo reconhecimento da graça e que não são bem vistas, pois seu
comportamento extremamente espontâneo e extravagante causa perturbação da
ordem.
O evangelho
pregado no início, ainda nos dias de João Batista, indo até os apóstolos, tinha
como base o mesmo arrependimento genuíno e extravagante demonstrado pela mulher
invasora:
Naqueles
dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia.
Ele
dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo".
Daí
em diante Jesus começou a pregar: "Arrependam-se, pois o Reino dos céus
está próximo".
Pedro
respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de
Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito
Santo.
O que
vemos nos dias de hoje e não somente isto, mas já há um bom tempo, é um
evangelho diluído e apresentado ao gosto do freguês.
As pessoas
são levadas a crer mais em tradições do que na Palavra de Deus, e isto vem ao
longo dos anos criando um corpo doente, pois o único meio de alcançar a cura é
através do arrependimento, como profetizou Jeremias:
Ó
Senhor, esperança de Israel, todos os que te abandonarem sofrerão vergonha;
aqueles que se desviarem de ti terão os seus nomes escritos no pó, pois
abandonaram o Senhor, a fonte de água viva.
Cura-me,
Senhor, e serei curado; salva-me, e serei salvo, pois tu és aquele a quem eu
louvo.
A fonte
de água viva de que o profeta fala é o Senhor Jesus, o verbo vivo, único
caminho, verdade e vida.
O profeta
Isaías também fala sobre o arrependimento trazendo salvação:
Diz
o Soberano Senhor, o Santo de Israel: "No arrependimento e no descanso
está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas
vocês não quiseram.
Outro
profeta que traz a mesma mensagem é Ezequiel:
"Portanto,
ó nação de Israel, eu os julgarei, a cada um de acordo com os seus caminhos;
palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se! Desviem-se de todos os seus males,
para que o pecado não cause a queda de vocês.
Livrem-se
de todos os males que vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito
novo. Por que deveriam morrer, ó nação de Israel?
Pois
não me agrada a morte de ninguém; palavra do Soberano Senhor. Arrependam-se e
vivam!
Vemos
no exemplo destas profecias, que a mensagem de salvação sempre esteve presente,
ligada diretamente ao arrependimento, então vem novamente a questão:
Somente
os não crentes devem se arrepender e crer, e a partir daí, não se preocuparem
mais com o arrependimento?
Creio
que não, pois a Palavra mostra que arrependimento e perdão fazem parte do
caminho do início ao fim:
Vocês,
orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.
Venha
o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
Dá-nos
hoje o nosso pão de cada dia.
Perdoa
as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.
E
não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o
poder e a glória para sempre. Amém’.
Pois
se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.
Mas
se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as
ofensas".
A mistura
dos verdadeiramente arrependidos e dos falsos transforma nossas reuniões em
ajuntamentos solenes, pois há grande mistura de luz e trevas, pois onde há
falsidade há escuridão. Sobre isto, o profeta Isaías trouxe um agrave advertência
que deve ser observada nos dias de hoje:
Parem
de trazer ofertas inúteis! O incenso de vocês é repugnante para mim. Luas
novas, sábados e reuniões! Não consigo suportar suas assembleias cheias de iniquidade.
O profeta
Oséias completa a profecia, mostrando a vontade de Deus:
Pois
desejo misericórdia, não sacrifícios, e conhecimento de Deus em vez de
holocaustos.
Um bom exemplo de como
deveriam ser nossos cultos está em um dos grandes ensinos do Apóstolo Paulo:
Portanto,
que diremos, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou
uma palavra de instrução, uma revelação, uma palavra em língua ou uma
interpretação. Tudo seja feito para a edificação da igreja.
Olhando
para nossas reuniões solenes, não se pode encontrar muitos paralelos com o que
Paulo ensina aos coríntios, talvez por a maioria dos líderes estarem sempre
buscando novidades, com a intensão de não parecerem repetitivos ou estagnados.
Aqui
voltamos à atitude daquela mulher pecadora que rompeu com os parâmetros da boa
ordem e costumes, não se importando com os moldes da sociedade em que vivia.
Dentro
dos quesitos apresentados por Paulo, a atitude da pecadora se encaixaria talvez
no item revelação, pois o Senhor aproveitou o gancho para ensinar uma grande
verdade que muitos não podem viver, pois raramente conseguem ver além do desperdício
do perfume.
Como intercessores
em favor do avivamento que está por vir, devemos apresentar constantemente,
perante o Senhor, todos os que tem responsabilidades ligadas ao ensino da
Palavra de Deus, tanto aos que já creram quanto aos de fora, pois somente o
verdadeiro ensino pode preparar o povo para o avivamento.
Meu
povo foi destruído por falta de conhecimento. "Uma vez que vocês
rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez
que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos.
No
passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre
vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras,
chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina
destruição.
Muitos
seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será
difamado o caminho da verdade.
Nossa resposta deve
ser sempre esta:
Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele
se chegam a Deus,
vivendo sempre para interceder por eles.
Jesus é o
intercessor perfeito e nós somos privilegiados
por poder
participar com Ele.
Marcelo Tristão de
Souza
Guamaré/RN
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