Se escrevo
o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem
importância, pois nada tem importância.
Por: Bernardo
Soares In: Livro do Desassossego“ — Fernando Pessoa
Referência: https://citacoes.in/citacoes/1495297-fernando-pessoa-12-se-escrevo-o-que-sinto-e-porque-assim-diminuo/
Referência: https://citacoes.in/citacoes/1495297-fernando-pessoa-12-se-escrevo-o-que-sinto-e-porque-assim-diminuo/
Assim
como grande parte da literatura mundial, o pensamento acima expressa uma alma prepotente,
fútil e grandemente egoísta. Muito distante do poeta de Israel, que escreveu o
seguinte texto:
O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e
cheio de amor.
Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre;
não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui
conforme as nossas iniquidades.
Este
trecho do salmo 103, escrito pelo Rei Davi difere grandemente do pensamento da
maioria da humanidade, pois não é fruto de uma alma que busca a si mesma, mas
na realidade busca algo transcendental. A busca de Davi não era pela satisfação
de desejos egoístas, vividos apenas no âmbito natural dos sentidos corrompidos
pelo ego. O Rei de Israel ansiava pela eternidade com o Senhor, mas sabia que
para alcançar isto, deveria passar por um recomeço e isto dependeria de um
conserto com o próprio Deus de Israel.
Buscar
a satisfação para as dores e dúvidas dentro de nós mesmos é um ato irracional,
assim como o texto de Fernando Pessoa. O poeta português viveu uma vida de
boemia, alcoolismo, drogas e outras coisas egoístas que a sociedade burguesa de
sua época oferecia. Tudo para a satisfação do ego, mas que na verdade enterra
as pessoas na mais profunda depressão.
Nos
dias atuais, a essência continua a mesma, com o acréscimo de todo o mal que a
modernidade pode trazer.
Felizmente,
a verdadeira satisfação que Davi buscava continua imutável, resistindo a todas
as eras com suas modernidades. Mais de três mil anos se passaram e muitos ainda
buscam o mesmo recomeço que Davi buscou e, graças a Deus, muitos se inspiram
nas palavras do poeta de Israel e se voltam para o Senhor.
Outros
poetas de Israel compreenderam isto muito bem e escreveram poemas que
transcendem qualquer cultura em qualquer época, como é o caso do Salmo 107:
Os que descem ao mar em navios, mercando nas grandes
águas.
Esses vêem as obras do Senhor, e as suas maravilhas no
profundo.
Pois ele manda, e se levanta o vento tempestuoso que
eleva as suas ondas.
Sobem aos céus; descem aos abismos, e a sua alma se
derrete em angústias.
Andam e cambaleiam como ébrios, e perderam todo o tino.
Então clamam ao Senhor na sua angústia; e ele os livra
das suas dificuldades.
Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as suas ondas.
Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao
seu porto desejado.
Louvem ao Senhor pela sua bondade, e pelas suas
maravilhas para com os filhos dos homens.
A linguagem
dos salmos é poética e cheia de simbolismo que refletem a realidade através de ângulos
diversos.
No caso
do salmo 107, as águas ou o mar podem se referir à vida diária, cheia de buscas
e perdas, luz e trevas, medo e bravatas. Muitos de nós consegue passar a vida
em águas calmas talvez por não se aventurarem ao escuro e frio horizonte distante.
Outros vivem em meio a tempestades pois acreditam que é o único caminho ao tal
horizonte distante.
O que
o salmista nos aponta no salmo 107 é o caminho perfeito para a eternidade,
mesmo passando por perdas, feridas e afogamentos.
O segredo
é o mesmo do salmo 103; Não nos trata conforme
as nossas iniquidades. No salmo 107, esta verdade é dita da seguinte forma: Então clamaram ao
Senhor na sua angústia, e ele os livrou das suas dificuldades.
Na minha vida, a tempestade
esteve presente desde muito cedo e o álcool e drogas chegaram ainda no final da
infância, antes dos 16 anos, como em muitas vidas pelo mundo afora.
Vivi
em meio às tempestades por mais de 15 anos, até que um dia clamei ao Senhor na
minha angustia, e Ele me livrou de minas dificuldades.
Antes
de chegar a este dia, mergulhei fundo no meu mundinho interior, escuro e frio. Lá
dentro encontrei Fernando Pessoa, Allen Ginsberg, Edgar Allan Poe, Franz Kafka
e muitos outros que se debatiam com suas névoas escuras e densas e se afogavam
em suas próprias águas geladas.
Hoje
percebo que estas tempestades fazem parte do caminho, mas nunca foram o Caminho.
Mesmo
após encontrar o Caminho e vencer as antigas tempestades, não estamos
completamente livres de enfrentar novas tempestades, pois mesmo estando
trilhando o Caminho certo, ainda vivemos no mar da vida como qualquer pessoa. A
diferença é que agora, no Caminho, nossas intempéries tem um propósito maior do
que nós mesmos:
Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não
são do mundo,
assim como eu não sou do mundo.
Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam
Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam
santificados na verdade.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que
pela tua palavra
hão de crer em mim;
João 17:14-20
João 17:14-20
Não
precisamos mais viver a febre do sentir, pois o que confessamos tem todo a
sentido que conseguirmos expressar e toda a importância que conseguirmos
atribuir. Não temos mais que viver o desassossego comum pela busca do eu e sim,
vivermos a urgência de levar outros náufragos a ver o Caminho para o Porto Seguro:
Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao
seu porto desejado.
Salmo 107:30
INTERCESSÃO
Não pretendo desmerecer o
valor literário dos autores citados,
apenas me reservo a opinião
de que a verdadeira busca pela paz não deve ser egoísta nem intimista, pois
creio que somente em Deus há satisfação real.
ESPERO EM DEUS QUE O(A)
AMADO(A) LEITOR(A) ENCONTRE O CAMINHO
E ANCORE NO PORTO SEGURO.
Escrever impulsionado pelo amor à Palavra de Deus é ter o privilégio de ser o primeiro a ler.
John Bever
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