Portanto ide, fazei discípulos de
todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os
a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou
convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
Mateus 28:19-20
Os evangelhos estão repletos de milagres e ensinamentos maravilhosos, mas o mais importante é que há nestes fatos, a potencialidade de unir milagres e ensinamentos. Um dos principais é o famoso milagre da multiplicação.
No milagre da cura do cego Bartimeu,
aprendemos a perseverar, crer e clamar.
Na transformação da água em vinho, aprendemos sobre a natureza da graça
e do Reino de Deus, substituindo a adoração cerimonial pela celebração. Na
caminhada sobre as águas, aprendemos que o Senhor é quem comanda tudo, até
mesmo as forças da natureza, inclusive a lei da gravidade, além da preciosa
lição de fé.
Mas o que será que podemos aprender
com o milagre da multiplicação?
Digo que este é um dos principais
milagres que traz grande ensinamento, pois está diretamente relacionado com a última
recomendação deixada pelo Senhor:
Mas recebereis poder, ao descer
sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como
em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.
Atos 1:8
Esta mesma recomendação foi lembrada
pelo Apostolo Paulo, quando estava instruindo seu discípulo Timóteo:
Pregue a palavra e insista em
anunciá-la, seja no tempo certo ou não. Procure convencer, repreenda, anime e
ensine com toda a paciência.
2 Timóteo 4:2
Quando observamos atentamente o
milagre realizado pelo Senhor, vemos que havia mais do que a intenção de
alimentar as pessoas que estavam ali. Para isto, Jesus poderia ter utilizado
outros recursos, pois sabemos que não há limites para o poder de Deus. O que
chama a atenção é a maneira que o Senhor decidiu agir:
Algum tempo depois Jesus partiu para a
outra margem do mar da Galiléia ( ou seja, do mar de Tiberíades ), e grande
multidão continuava a segui-lo, porque vira os sinais miraculosos que ele tinha
realizado nos doentes. Então Jesus subiu ao monte e sentou-se com os seus
discípulos. Estava próxima a festa judaica da Páscoa.
Levantando os olhos e vendo uma grande
multidão que se aproximava, Jesus disse a Filipe: "Onde compraremos pão
para esse povo comer? " Fez essa pergunta apenas para pô-lo à prova, pois
já tinha em mente o que ia fazer. Filipe lhe respondeu: "Duzentos denários
não comprariam pão suficiente para que cada um recebesse um pedaço! "
Outro discípulo, André, irmão de Simão Pedro, tomou a palavra: "Aqui está
um rapaz com cinco pães de cevada e dois peixinhos, mas o que é isto para tanta
gente? " Disse Jesus: "Mandem o povo assentar-se". Havia muita
grama naquele lugar, e todos se assentaram. Eram cerca de cinco mil homens.
Então Jesus tomou os pães, deu graças
e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o
mesmo com os peixes. Depois que todos receberam o suficiente para comer, disse
aos seus discípulos: "Ajuntem os pedaços que sobraram. Que nada seja
desperdiçado". Então eles os ajuntaram e encheram doze cestos com os
pedaços dos cinco pães de cevada deixados por aqueles que tinham comido.
Depois de ver o sinal miraculoso que
Jesus tinha realizado, o povo começou a dizer: "Sem dúvida este é o
Profeta que devia vir ao mundo".
Não tenho prazer algum em criticar a atuação da maioria dos crentes
dos nossos dias, mas infelizmente, não há como comentar a Palavra de Deus, sem
analisar a situação e comparar com o que deveria estar acontecendo. Graças a Deus que sempre manterá um
remanescente para exortar e levar pedrada. Uma das finalidades deste blog é
convidar os crentes que se sentem na mesma situação a interceder em oração e
atitudes, na busca constante por Deus, visando a santificação e o crescimento
sadio da Igreja.
A maioria das
exortações que tenho acompanhado, nos sites de estudos, pregações e louvores,
apresenta os problemas de forma superficial e buscam dar ênfase apenas no
indivíduo. (talvez seja por verem estes indivíduos como consumidores). Creio
que a Igreja é formada por indivíduos, mas o problema da apostasia e
enfraquecimento é corporativo. Devemos procurar curar cada indivíduo em
particular, mas também devemos atacar o problema como um todo. Se o problema
fosse de natureza física, buscaríamos a cura física da parte afetada, mas se o
problema é de natureza sobrenatural, então devemos buscar a cura de todo o
corpo sobrenatural.
E ele deu uns como apóstolos, e outros
como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo
em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para
edificação do corpo de Cristo; até que
todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao
estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo; para que não mais sejamos meninos,
inconstantes, levados ao redor por todo vento de doutrina, pela fraudulência
dos homens, pela astúcia tendente à maquinação do erro; antes, seguindo a
verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
Efésios 4:11-15
Como
Igreja, somos um corpo cuja cabeça é o próprio Senhor. Desta forma, o problema
consiste exatamente na ligação perfeita entre o corpo e a cabeça. Resumindo, o
problema é de comunicação entre a cabeça, que envia os comandos e as partes do
corpo que deveriam receber e executar estes comandos. É inútil tratar um dedo
que está atrofiado por não conseguir receber o comando enviado pela cabeça,
pois este comando depende que outras partes recebam e reenviem até chegar ao
destinatário. Se uma destas partes não está funcionando perfeitamente, o
comando é interrompido ou corrompido. Ou deixa de chegar ou chega adulterado.
No
milagre da multiplicação dos pães, podemos tirar uma importante lição de como
realizar a cura corporativa que a Igreja tanto está necessitando, para cumprir
o propósito nos últimos dias. Cremos que haverá um despertar e derramamento do
Espírito Santo de forma mais acentuada, conforme for se aproximando o fim dos
tempos. Certamente que este tempo já chegou e estamos vivenciando isto. Este
despertamento não é da maneira que os “tele pastores” apregoam, mas é sério e
real. Não devemos esperar a salvação de toda a humanidade, como alguns
insistem, mas podemos perceber um grande aumento do interesse pelas coisas
espirituais. Infelizmente, este crescimento não aponta somente para as coisas
verdadeiras de Deus, mas o crescimento também é espantosamente grande no mundo
Muçulmano e até em diversas seitas que se declaram satanistas, mesmo que a
maior parte seja apenas gente incrédula buscando atenção. Isto nos mostra que o
“avivamento” não é nem um pouco parecido com o que está sendo vendido na mídia.
Isto não passa de mercadoria adaptada ao gosto de um mercado fortemente
manipulado.
A
cura que o Senhor nos aponta, através do milagre da multiplicação dos pães e
peixes, é exatamente a restauração da comunicação correta entre todas as partes
do corpo e a cabeça. Cada parte cumprindo sua função, restaurando o fluxo e
fortalecendo o todo.
Vamos
dar uma olhada nos fatos e deixar o Espírito falar:
O
contexto começa com o Senhor realizando milagres e curando o povo. Estava
chegando a Páscoa e o Senhor já iniciava a caminhada para o calvário.
Era
a hora de sair da Galileia e caminhar até Jerusalém. Nesta trajetória, o Cordeiro
de Deus seria examinado e provado de todas as formas possíveis, para se
averiguar se realmente era o cordeiro perfeito, sem manchas, apto para o
sacrifício.
Aqui
vamos ao primeiro ponto:
A
multidão estava seguindo ao Senhor Jesus, pois Ele havia realizado maravilhas e
curado os enfermos. Na Igreja atual, os homens se esforçam ao máximo para serem
seguidos. Vemos verdadeiros rituais de curas e milagres sendo realizados sempre
com a presença de câmeras e microfones. Você
já ouviu falar que o pastor fulano de tal estava passeando com alguns amigos e
então se depararam com algumas pessoas necessitadas e então expulsaram os
demônios e curaram os doentes? Pois
é. Infelizmente nunca se ouviu algo parecido e dificilmente se ouvirá. O
interesse, hoje em dia, não está nas pessoas necessitadas, mas está em um tipo
de poder ilusório e passageiro, a fama e riqueza material.
No
texto de João, vemos Jesus acompanhado dos Apóstolos e discípulos, mas a
multidão seguia somente ao Senhor, pois sabiam quem é que realizava as
maravilhas.
O
segundo ponto:
Jesus
subiu ao monte a sentou-se com os discípulos. Subir o monte demonstra desejo de
se aproximar do Pai de forma mais contemplativa e assentar-se é uma atitude
própria dos mestres, quando se preparavam para ensinar.
Jesus
atraia as pessoas para uma posição de contemplação e as preparava para ouvir o
que Deus tinha para ensinar a elas. Fez isto com os Apóstolos, que sempre
ficavam mais próximos, os discípulos, que procuravam se aproximar e a multidão,
que se aglomerava.
Nossa
atitude com relação ao Senhor define o que seremos. Apóstolos são os que
almejam partilhar cada detalhe e ir após o Mestre, compartilhando o que
recebeu. Discípulos são os que querem captar cada detalhe para ser igual ao
Mestre e a multidão que se aglomera são os que estão mais interessados nas
maravilhas e só querem receber e reter, não deixando fluir e morrendo quando
não conseguem receber exatamente o que querem.
O
terceiro ponto:
O
Senhor levanta os olhos para ver a multidão e então inicia o diálogo com
Filipe.
Certamente
que havia muito alvoroço em volta, mas o Senhor estava assentado e de cabeça
baixa, o que indica que estava orando, totalmente tranquilo. A pergunta do
Senhor sobre como alimentar á multidão foi apenas para chamar a atenção ao fato
de que este não era um problema, mas um meio de trazer preciosos ensinamentos.
É
notório o fato de que, sem alimento, a multidão se dispersaria. Isto reflete o
que tem acontecido com as Igrejas atuais. Uma multidão se aglomera diariamente
e vai embora por falta de alimento. Os “milagres” não são suficientes para
prender a atenção das pessoas, pois a grande maioria está buscando apenas os
sinais para resolver problemas imediatos. As Igrejas que oferecem “milagres”
como um produto de consumo, estilo fastfood, atraem multidões em suas filas de
caixa rápido e não se importam com a satisfação do cliente, pois o marketing garante
que há muita gente esperando para entrar na fila.
As
respostas dos Apóstolos demonstram que não sabiam o que fazer e certamente
haveria tumulto e confusão, pois nem mesmo eles tinham alimento sequer para um
pequeno grupo.
Neste
momento, começa a ação do Senhor para trazer a cura para a situação. Jesus
recebe os pequenos esforços de seus seguidores e apresenta ao Pai, dando
graças, e então o milagre acontece.
Os
pães e peixes arrecadados pelos esforços humanos jamais seriam suficientes para
alimentar sequer três pessoas, mas quando este pequeno esforço é apresentado ao
Senhor, a multiplicação faz com que haja mais do que o suficiente para
satisfazer os presentes naquele momento e os que viriam depois.
Aqui
vamos ao quarto ponto:
Os
discípulos tinham consciência de que deveriam alimentar a multidão, mas
reconheceram que não tinham os recursos nem sabiam como proceder.
Quando
entregaram o problema nas mãos do Senhor, se humilharam, reconhecendo sua
incapacidade e confiando na solução que Jesus traria. Infelizmente, os
“líderes” atuais não conseguem ter a mesma atitude. A maioria sempre faz as
coisas da maneira que bem entende, outros oram e depois fazem da maneira que
bem entendem e outros ainda, empurrar o problema e vão avançando no escuro,
rumo ao abismo. Graças a Deus que ainda
mantém um remanescente pronto para se humilhar e fazer a vontade do Pai.
Jesus
apresentou o problema ao Pai, como intercessor, e imediatamente deu inicio à
solução. Mandou que os discípulos organizassem as pessoas em grupos suficientes
para que pudessem servir a todos sem tumulto.
Eis
aqui um grande ensinamento sobre a tarefa da Igreja. Reunir a multidão em grupos
administráveis e então entregar o alimento multiplicado pelo Senhor. Prestemos
atenção ao fato de que o Senhor multiplicou os pães e os peixes e não fez
surgirem novos alimentos diversificados, adequados à dieta de cada grupo.
Esta
mesma narrativa é apresentada nos outros evangelhos, trazendo detalhes que
enriquecem mais ainda nosso aprendizado:
Jesus, porém, lhes disse: Não precisam
ir embora; dai-lhes vós de comer.
Mateus 14:16
Mateus
revela que o Senhor respondeu que eram os discípulos que deveriam alimentar à
multidão e não apenas ficar esperando que Ele fizesse tudo sozinho. Os fatos
seguintes demonstraram que isto seria possível, se confiassem no Senhor para
fornecer o alimento e dar a direção de como proceder.
Então lhes ordenou que a todos
fizessem reclinar-se, em grupos, sobre a relva verde.
E reclinaram-se em grupos de cem e de cinquenta.
E tomando os cinco pães e os dois
peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou; partiu os pães e os entregava
a seus discípulos para lhos servirem; também repartiu os dois peixes por todos.
E todos comeram e se fartaram.
Marcos 6:39-42
O relato de
Marcos acrescenta que os grupos eram de cinquenta e cem, demonstrando a
organização. Se haviam milhares de pessoas a serem alimentadas e os grupos eram
relativamente pequenos, seria necessário o envolvimento de maior quantidade de
discípulos para que todos pudessem receber sua porção.
Parece estranho,
mas o texto mostra o Senhor dando graças e entregando as porções para que
fossem servidas. Vemos assim que cada pão e peixe foi abençoado pelo Senhor e
entregue aos discípulos para que estes distribuíssem.
Permanecei em mim, e eu permanecerei
em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não permanecer na
videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim.
Eu sou a videira; vós sois as varas.
Quem permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada
podeis fazer.
João 15:4-5
E eu, irmãos, quando fui ter convosco,
anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de
sabedoria.
Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e
este crucificado.
1 Corintios 2:1-2
Após todos
comerem e se saciarem, os discípulos recolheram 12 cestos, demonstrando a
suficiência de Cristo e da Palavra e a abundancia da graça.
Vamos orar em
intercessão a agir conforme o que Deus nos dá:
Clamamos pela
restauração da comunicação correta entre o corpo e a cabeça, para que a Igreja
possa cumprir com seu propósito, apresentando ao mundo a Palavra de poder que
Salva, Cura e Liberta, levando o homem de volta à presença do Pai.
Que a Palavra
seja entregue às multidões da maneira que Deus enviou, sem alterações,
adaptações ou adulterações. Se recebemos a Palavra em nós, somos a encarnação
da Palavra e cremos que somente a Palavra pode libertar e dar Paz.
Vamos interceder
para que a Igreja volte a realizar seu propósito, que é ser multiplicadora da
Palavra enviada do Céu.
Disseram-lhe, pois: Que faremos para
executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de
Deus é esta: Que creiais
naquele que ele enviou.
Marcelo Tristão de Souza
Ministério Apostólico Koinonia em Guamaré/RN